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COISAS DO TEMPO

Publicado por António Luís | Marcas | Publicado em 23.4.09

Há (muitos) anos que não vejo um "Telejornal", seja lá qual for o canal de origem. Entre uma certa ideia de fatalidade ocupacional e um acto de voluntária higiene mental, arredei os ditos do meu acerto televisivo que, de resto, está pelos zeros de atenção. Não me sinto infeliz nem limitado no meu modo de ser e viver pelo facto. Na cozinha não há televisão, aí a higiene ainda fala mais alto e na hora de eventualmente lhe dedicar atenção, outros valores se levantam. A agenda noticiosa, que durante anos me fascinou até aos limites do dependência, foi substituída pelo acto da cozinha (leia-se panelas, tachos e ingredientes), sendo que saudade é uma palavra devidamente adormecida no léxico dedicado à televisão. Exceptuando os canais temáticos, que mesmo assim e não raras vezes, andam demasiado perto do fastio, a chamada "televisão generalista" é um pesadelo do qual me dispenso. Para a substituir, leio blogues (te todo o tipo), consulto sites informativos (alguns das próprias televisões); ouço rádio nas 2 horas diárias que passo trancado no carro em viagem e corro o olhar pelas capas dos jornais, sem contudo me deixar esmagar pelo seu sensacionalismo de manual. Outras vezes, prefiro uma certa ignorância que, sendo confortável para a consciência é, muitas vezes, docemente apetecível ao turbilhão castrante da actualidade. Quando se chega aqui, à Latitude 40, não é que a desilusão tome conta do nosso espírito, mas o facto é que já não acreditamos em contos de fadas ou, certamente pior do que isso, não depositamos demasiadas esperanças de que a transformação do mundo e dos homens se torne desiderato ou sequer algo de constatável. Digamos que nos deixamos tomar por um optimismo prudente, ou por um pessimismo à espreita da sua vez. Não se baixam os braços (há sempre caminho para andar), mas também não esperamos o que, em boa verdade e sã consciência não é de esperar...

Comentários (1)

  1. Vê lá se abres uma excepção para o Jornal de Sexta da TVI.
    (José António Duarte)

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