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O HOMEM

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 25.10.09

Alguns dos que me lêem detestam-no.

Eu, apesar de lhe reconhecer excessos de linguagem, algumas falhas e abordagens desajustadas perante algumas situações, não escondo admiração por ele. Por tudo o que se possa dizer e escrever em contrário, o homem ganha sistematicamente as eleições, com mais ou menos votos, sem que se questionem, por mais que insinuem e suspeitem alguns, os mecanismos democráticos que a isso levam. Acredito também que os mais de 30 anos de poder do homem consubstanciem vícios, dependências, subserviências, etc., visíveis na sociedade Madeirense, aliás as mesmíssimas que gravitam à volta dos poderes instalados em qualquer parte do país ou do mundo. Mas se existisse verdadeira vontade de mudança, seria fácil apear o homem do poder em qualquer dos ciclos eleitorais que ocorrem. Nunca se viu ninguém a apontar armas junto às urnas de voto, ameaçando o que quer que seja a quem quer que seja. Mas tal não acontece. Nem coação nem a derrota do homem. Portanto, por muito que se deteste ou adore o homem, ele é e será uma figura incontornável na história de Portugal e da Madeira em particular. Tudo isto para dizer que ontem tive a oportunidade de estar presente no jantar comemorativo dos 99 anos do Club Sport Marítimo, onde o homem se dirigiu aos 600 presentes com notável apropósito, durante 15 minutos, sem um papel escrito que o apoiasse. Comparei-o e à sua verdade discursiva, seja pela simplicidade das palavras proferidas, seja pela sua colocação simples perante as pessoas, ao ex, actual e futuro Primeiro-Ministro que não dispensa o seu teleponto, o seu ar artificial onde tudo parece ponderado ao milímetro, plástico e sem um rasgo de autenticidade... Será por causa disso que, por mais que ele quisesse, nunca ganharia dezenas de eleições que Alberto João Jardim ganhou, nem seria aclamado na rua como o líder madeirense genuinamente é.

Comentários (2)

  1. Longe de mim, aqui debaixo do meu metro e oitenta, julgar o grande homem (peço desculpa, o caps lock do "h" não funciona), gigante democrático e político, o homem que retira imunidade diplomática a quem o critica e que imediatamente lança "fuck them's" a quem lhe apetece. O homem democrata que quer proibir o comunismo (seja lá o que isso for!) num estado democrático (estado democrático, ilha democrática, por vezes confundo isto!), o homem que ganha sistematicamente eleições, com mais ou menos votos, o que pelos vistos é sinónimo do bom trabalho realizado e não, por exemplo, de falta de alternativa (nas legislativas nacionais ganhou novamente o bom trabalho realizado? Não me parece!). E depois temos o povo. O povo madeirense, o povo de Oeiras, o povo de Gondomar... Bolas, vou alargar o leque e escrever mesmo o povo de Portugal! A final está tudo no mesmo saco (não, não é o saco de Felgueiras!).
    Meu caro, se valorizarmos alguém pela sua retórica sem teleponto ou auxílio de cábulas ou power point, o que dizer das cinco horas com Fidel Castro nos brindava há pouco tempo! E acaso será ele (ou foi, ninguém sabe se está vivo ou morto!) um sinónimo de boa liderança democrática?
    Não tenho dúvida alguma de que Sir Albert John Garden é uma das figuras incontornáveis da História nacional.
    Como também não tenho dúvidas de que Adolf Hitler, Mussulini ou Estaline foram figuras incontornáveis da História mundial (a comparação é meramente ocasional, podia ter escrito Madre Teresa de Calcutá, Luther King ou Nelson Mandela, mas tenho algum respeito por estes últimos!).
    Vivi dois anos nessa ilha e, como tu, também tive a oportunidade de perceber o quanto o homem é idolatrado (também vivi um ano em Luanda e passa-se o mesmo com Eduardo dos Santos!).
    Longe de mim, aqui debaixo do meu metro e oitenta, julgar o homem. Nem tenho competência para tal, apenas opinião, tão válida (ou não) como qualquer outra. Mas valorizar alguém pela verdade discursiva e simplicidade das palavras proferidas é o mesmo que dar valor aos antigos vendedores ambulantes cuja poção no frasquinho servia para as artroses, dores de cabeça, queda do cabelo, abcessos e dores de dentes…
    E olha que os frascos se vendiam bem…

  2. De acordo, meu caro "irmão"!
    Eu não estou aqui para defender o homem...
    Apenas quis realçar que, adore-se ou deteste-se o estilo (eu não o abomino, como também não o idolatro...)o homem é genuino. Não há ali plástico e teleponto como há em Sócrates, por exemplo...
    Quanto à proibição do comunismo... Bom, dá-me a ideia que na Coreia do Norte, ou na Venezuela, por exmplo, eles não estejam propriamente dispostos a tolerar o fascismo ou coisa parecida.
    Pode todos limpar os seus espampanantes rabos ao mesmo papel que no fim pouca diferença se nota na mancha!...

    Abraço e obrigado por me leres e comentares!

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