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LEITURAS - "O HOMEM QUE MORREU"

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 27.12.09

Terminei, já há algum tempo, a leitura deste livro sobre o qual já aqui escrevi umas esparsas linhas. Ora a história é simples e, tendo em conta a época natalícia, julguei ser recomendável não discorrer sobre o livro muito em cima do 25 de Dezembro, dado o desfecho da história. D. H. Lawrence, com algum génio, conta uma espécie de "história paralela/alternativa" à ressurreição de Cristo e de como , por entre a narrativa, um galo de capoeira pode servir de elemento inicialmente desestabilizador da história, desviando, de certa forma, os propósitos do autor ou adocicando a eventual "aspereza" do que vem a seguir. Cristo, depois da sua ressurreição, enfrenta um dilema que se desenha entre o seu estatuto de "vivo-regressado da morte" e um homem que enfrenta a sua natureza e os seus desejos carnais, confrontando muitas vezes esse seu "estatuto" divino com o do comum dos mortais. A dada altura, torna-se por demais evidente o desfecho da história, quando Cristo enfrenta a tentação carnal, na presença de mulheres que outrora o idolatravam de uma forma complacente mas que, confrontadas com a disponibilidade e o despojamento do homem - entenda-se a entrega à inevitabilidade do prazer - acabam por ceder à tentação de se "cruzarem" com O homem, afinal e postas as coisas no seu termo, perfeitamente banalizado nos seus instintos e desejos primários, arredado, por isso, de toda a sua aura de misticismo que viria a construir a sua figura ao longo dos séculos. Rematando, temos então uma interessante história "alternativa" à que é sistematicamente contada pelas religiões cristãs e que, muito provavelmente, não terá caído nas suas boas graças, nem tão pouco o seu "ousado" autor.

Comentários (2)

  1. Decerto será uma leitura interessante. Terei de o colocar na minha lista.
    Mas, diga-se, que a história do suposto (não digo sito com uma finalidade jocosa, apenas defendo que há aqui muito mais do que se admite) fundador do Catolicismo tem muito que se lhe diga. Mesmo as supostas origens humildes do mesmo tendem a ser postas em causa por pesquiss aqui e ali, mais ou menos abafadas pela máquina mediática da Igreja Católica. Há muito que defendo que as pessoas deveriam aprender a diferenciar fé de Igreja, pois as duas não se implicam uma à outra. Livros como estes, sendo mais ou menos polémicos, ajudam, pelo menos, a difundir algo que hoje em dia parece tão raro, a iniciativa de pensar.
    Peço desculpa se o comment é um pouco "polémico" em si, mas o facto é que existe neste tema tanto para discutir, e tanto que fica por ser dito...

    Abraços.

  2. Não, meu caro!
    O pensamento e a análise são livres...
    Tudo pode ser posto em causa. Todas as perguntas se podem fazer.

    Abraço.

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