Páginas

A MOEDA

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 17.12.09

Estar na condição insular é como uma moeda. Por um lado, a realidade confina-se a um rochedo gigante, habitado por 270 mil almas, rodeado de mar por todo o lado, ensimesmado num dia-a-dia que se repete, sem grandes nuances. Vistas bem as coisas, é o mesmo que acontece no continente, apenas que por lá numa escala compreensivelmente maior e, obviamente, mais dada a variações. Mas estar aqui, por outro lado, traz vantagens, como por exemplo, estar longe da agenda noticiosa "oficial", cheia de elementos decepcionantes, visões de uma nação a arrastar-se por maus caminhos, alegremente publicitada pelos sorrisos governamentais. Aqui, o "oficial" é outro. O de há mais de 30 anos. Sem sobressalto, filtrado no essencial, estável porque tudo ou quase dele depende, porque tanto ele dá, também. Um "oficial", adore-se ou deteste-se (sou neutral...) que é repetidamente legitimado em eleições por largas maiorias, tão claras nos seus desejos. Se sinto falta de uma certa agitação continental? Sim! Se me sinto bem com esta calma "oficial" daqui? Também sim!

Comentários (0)

Enviar um comentário