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ESTADOS DO TEMPO- XXXIV (As minhas (in)certezas...)

Publicado por António Luís | Marcas | Publicado em 27.2.10


Ao longo dos meus 41 anos de existência e a partir do momento em que comecei a tomar noção da dimensão das coisas e do seu funcionamento, que a meteorologia e o "Estado do Tempo" me fascinam.
Ao longo de todo este tempo, fui coleccionado um conjunto de percepções e "instintos" que, na maioria dos casos não costuma falhar.
O Boletim Meteorológico foi, durante anos, o meu programa de televisão favorito, tendo por isso acompanhado todas as transformações - algumas tão imbecis - por que ele passou. Cheguei a catalogar os meteorologistas conforme o seu poder (ou não) de explicar os gráficos (ainda os vi desenhados a giz em quadros negros...) e claro, tinha os favoritos.
Portanto, ao longo do tempo fui construindo os meus próprios modelos de análise, muito fundamentados na observação do céu e dos fenómenos visíveis e interpretáveis, sobretudo conjugados com determinados e pré-definidos locais/pontos de observação.
Ouvi sempre com enorme (incomensurável) interesse as explicações dos moleiros, fossem os de azenha de água, fossem os dos moinhos de vento existentes em Penacova, onde a minha infância se desenvolveu.
Aprendi (inicialmente) com eles, a interpretar os diversos tipos de nuvens, a forma como "corriam" no céu e a direcção em que o faziam.
Depois de ter aprendido a ler, devorei tudo quanto eram livros que falassem do tempo, fixando as imagens, a terminologia e todo um léxico que fui adaptando e consolidando.
O meu apuro chegou a tal ponto que, mais tarde, cheguei a receber telefonemas em que do lado de lá me questionavam como ia estar o tempo no dia a seguir ou nas próximas horas, sempre que havia a percepção de alguma instabilidade.
Tudo isto para chegar aos últimos dias meteorológicos aqui na Madeira, como até um pouco por todo o país.
Não acreditei no "Alerta vermelho", pelo menos aqui na Madeira, por duas razões sólidas:
1º Ele foi "decretado" pela pressão mediática aqui instalada - logo desprovido de base de sustentação racional;
2º Pela análise que fiz do céu ao longo do dia de ontem percebi que a "tormenta" ia passar ao lado, deixando quando muito uns ventos fortes (deixou...) e uma chuva absolutamente normal.
Entretanto, pela acção do vento, o mar aqui na costa sul apresentou de manhã, vagas com 4 a 5 metros o que, para um mar habitualmente tão calmo, é sempre belo de ver.
Deixo-vos as fotos que obtive hoje, por volta das 10:30h da manhã!

Comentários (2)

  1. Uma beleza assustadora.

  2. Curioso que também eu enquanto miúdo e vivendo na aldeia, onde os temporais e as trovoadas se faziam sentir com muito mais impacto que na cidade, me habituei a observar os estados do tempo, as nuvens, a sua direcção, as suas formas e cores...e assim, empiricamente, adquiri alguns conhecimentos que me permitiam " adivinhar " o se ia chover ou não...mas,´hoje, já nem o tempo é o que era, para usar um raciocínio simplista...Um abraço David Almeida

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