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ALHEAMENTO "FORÇADO"

Publicado por António Luís | Marcas , , | Publicado em 9.4.10


Uma das principais consequências deste meu "exílio" nesta terra, é o afastamento gradual relativamente à actualidade, principalmente a política e também a desportiva, muito embora, esta última, nunca tenha sido muito dada a que lhe dedicasse demasiada atenção.
A coisa deriva do efeito da insularidade, isto é, há um certo "filtro" na informação que cá chega. Não lhe chamaria censura, mas antes, selecção do que interessa aos indígenas do arquipélago feita, não sei com que propósitos, pelas redacções locais dos órgãos de comunicação mais imediatos, leia-se rádio e televisão.
Ou seja, a Antena 1 e a TSF tem programação local, entre-cruzada com a nacional, com marcado vinco na informação, mas também em programas de autor. Já aqui disse, por exemplo, que as manhãs informativas da Antena 1-Madeira são absolutamente pavorosas...
Compreende-se que o que se passa em Fornos de Algodres não interesse muito a um habitante, do Funchal, como o contrário também é verdade. Mas faz-me muita confusão que não possa ouvir, na íntegra, a TSF ou Antena 1 nacionais, como não se ouve a Antena 3 nacional, a Rádio Comercial ou até a RFM (que de resto não aprecio nada...).
A Madeira, como os Açores, são porções do território nacional, pelo que não deveria sonegar-se o direito dos seus habitantes, naturais ou não (como é o meu caso) a ouvir as emissões originais nacionais.
O caso da Antena 3 é absolutamente aberrante. A Antena 3-Madeira não tem nenhuma razão de ser e é francamente má, sobretudo quando comparada com a nacional...
Tudo isto para concluir uma coisa simples.
Não faz sentido, na minha perspectiva, manter canais locais com episódicos simultâneos com os nacionais. Interessante, muito mais interessante, seria ter as mesmas edições nacionais, entre-cortadas com noticiários locais.
Já no que toca aos jornais, a coisa é menos descarada. A edição é nacional, com umas quantas páginas locais - facto constatável no Público e n' A Bola, pelo menos. Os jornais locais, 3 diários - Diário de Notícias (anti-Jardim e PSD) e o Jornal da Madeira (pró-Jardim, PSD e Igreja) digladiam-se à letra, sendo que o primeiro parece mais um jornal e por isso é mais procurado, apesar de muito mais caro que o "concorrente", e depois existe um jornal de distribuição gratuita - Diário Cidade - de mais do que sofrível qualidade...
Conclusão final: estou votado a um certo alheamento "forçado" face à realidade. Não sendo objectivamente mau, também não é coisa que me agrade...

Comentários (1)

  1. Confesso que no meu primeiro ano nas ilhas senti a falta das rádios (entre outras coisas) pois há 9 ou 10 anos trabalhava a mais ou menos 80Km de casa pelo que o automóvel e as rádios faziam parte do meu dia a dia.
    Oito anos de ilha fizeram-me passar a ouvir rádio em casa e pela net.

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