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MANUAL PARA A COMPREENSÃO DA "MODERNIDADE" - 1 Ano de Latitude 40

Publicado por António Luís | Marcas | Publicado em 17.4.10

Faz hoje um ano que o Latitude 40 nasceu.
É um projecto pessoal, sem nenhuma espécie de pretensão que não seja a partilha de algumas imagens, pensamentos, (sobre)vivências, devaneios, solidões, estados de alma e pensamento, bola (pouca), política (o menos possível), enfim... 
Raramente partilho as experiências que decorrem da minha profissão, muito dada a notas de interesse, mais do ponto de vista antropológico que outro. Mas, de certo modo, evito-as, algumas vezes sem razão aparente, outras de forma deliberada, defendendo os protagonistas, evitando interpretações que carecem de enquadramento e condições mínimas para serem entendidas sem desvios convenientes.
Esta semana, numa aula de substituição, tentei entabular um diálogo com os alunos que, pela segunda vez, me "apanharam" como professor substituto.
Muito cedo desisti. Estava perante 21 criaturas no limbo da acne cuja resposta foi clara na total indiferença - e não sei se de espantar - pela incapacidade demonstrada para dialogar e organizar frases coerentes.
Nas duas tentativas que fiz, tudo foi passível do habitual sorriso de hienas e dentes. Palavras, frases, ideias, são coisa em desuso. A linguagem SMS e o fascínio dos telemóveis e demais preciosidades que nos "sintonizam" ao mundo (computadores, redes sociais, etc...) já fizeram caminho cujo retorno (figurativamente) não se afigura fácil nem ausente de mil impurezas.
É fácil perceber que o mundo destes jovens (e não só de jovens), está introduzido, sem força de vaselinas,  nestes apêndices sociais, por onde tudo passa e que esventraram coisas/conceitos já tão vagos e ultrapassados como, por exemplo, uma conversa, olhos nos olhos à mesa de um café.
É incrível como nos deixámos imbecilizar com uma satisfação tecnológica (in)vestida de felicidade ou, menos pomposamente, de realização.
No entanto, todos estes mecanismos que se perfilam como factores de preenchimento das nossas vidas são, afinal, vezes de mais, fontes  de apreensão e vazio.
Depois de nos apercebermos disso e com uma ironia gélida, olhamos para nós e para a nossa "satisfação", com uma coluna de solidão e incapacidade.
Quanto mais me embrenho nas "redes sociais", (fiz uma semi-rendição ao Facebook) mais penso e desejo que os "amigos" continuem a ser como os conheci. De carne e osso.
Em suma, estou a ficar velho...

Comentários (2)

  1. Em primeiro desejo que o L40 continue a sua "saga".
    Em segundo quero dizer que concordo com a tua apreciação do actual real.
    Por último, apesar de preferir, tal como tu, de ter os amigos de carne e osso, tenho que admitir, como aliás tu também, que apesar de todos os inconvenientes, há (pelo menos) um aspecto positivo em toda esta virtualidade que é o de encurtar distâncias.....

  2. Exacto, meu caro Pedro!...
    Obrigado!

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