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PAPA

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 17.5.10

Não escrevi (até agora) uma letra sobre a visita do Papa.
Acompanhei apenas de soslaio, a cobertura feita pelas televisões.
Tudo com o habitual exagero de tempo e espaço, com os "especialistas, comentadores e os inefáveis repórteres". Um caldo com demasiados ingredientes incompativeis para ser apreciado.
Para os "intelectuais", Bento XVI é um "intelectual" da Igreja - coisa que as suas cabeças mal aceitam por temores concorrenciais, será? - e, portanto, uma entidade pouco dada ao banhos de multidão e aclamações simpáticas que teve, por exemplo, João Paulo II.
Para o comum cidadão, Bento XVI será sempre comparado ao seu antecessor, um Papa simpático e "do povo" e, claro, perde em toda a linha no "campeonato das simpatias". A começar pela sua cara e o seu olhar! É incrível como se colocam rótulos na cara das pessoas, sem que se perceba/ouça um fio do que são e/ou pensam!
Relativamente ao Papa em si (pessoal e doutrinalmente) , costumo desconfiar do que vejo e ouço, justamente dito pelos especialistas e comentadores mais "esquentados" e interpreto as opiniões populares num misto cauteloso.
Bento XVI produziu matéria escrita, pensamento e doutrina, mas não me permito falar sobre o que não conheço ou não li.
Bento XVI chegou como antipático, sisudo, intelectual - o português típico despreza figadalmente intelectuais, que dizem sempre que enganam o (bom)  povo ignorante - e toda uma série de rótulos pouco encomiásticos, e saiu em ombros, apelidado quase com adjectivação contrária.
Desconfio - já referi - destas apreciações. E mais desconfio quando elas mudam diametralmente em tão pouco tempo... 
Não costuma ser bom sinal!

Comentários (3)

  1. Pois...
    Achei piada ao "campeonato das simpatias".
    Em televisão por exemplo, isso vale muito, mesmo que depois das câmaras desligadas se seja uma granda besta!

  2. Para mim não passou de mais uma manobra de "marketing" e bem conseguida, por sinal!

    Altera-me o sistema nervoso o contra-senso existente na instituição "Igreja", como exemplos destaco os sapatos especiais de marca "Prada" que sua santidade calçava, aquando da visita a Portugal, e ainda uma parte do seu discurso em Fátima “Saúdo com grande amizade cada pessoa aqui presente e as entidades a que pertencem, na diversidade de rostos unidos na reflexão das questões sociais e sobretudo na prática de compaixão”

  3. Trequita,

    Mas o marketing está em todo o lado. É uma "arma" para que engulamos tudo e mais alguma coisa.
    O filtro para a "sobriedade" está na capacidade que temos (ou não) para sobreviver a um mundo em que tudo nos é impingido, cheio de rótulos, coisas para não nos retirarem "tempo" para as nossas apalermadas vidas.
    A tarefa é árdua, mas é por ela que nos devemos manter dignos e pensantes.
    O Papa, como mil chefes de estado, são servidos nas bandejas que mais lhes convêm, esteja ou não a coisa embrulhada na maior hipocrisia.

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