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DOER

Publicado por António Luís | Marcas | Publicado em 31.8.10

Os incêndios florestais são, na sua essência, sempre maus. 
Mas, aqui na Madeira, sabendo-se da natural vulnerabilidade de um pequeno rochedo no meio do oceano, o "fenómeno" assume proporção angustiante.
Há um património natural a destruir-se e que acarretará enormes prejuízos ambientais, que são muito mais perniciosos do que todos os euros envolvidos nas perdas e que os gabinetes políticos tratarão, em breve de zurzir.
Trata-se do bem-estar comum de quase 300 mil pessoas que aqui vivem e/ou passam alguns anos das suas vidas.
Quando ouço/leio que há gente a incendiar a floresta em sítios onde apenas meios aéreos poderão combater os fogos, assiste-se com uma esmagadora impotência à cavalgada das chamas em locais absolutamente únicos e paradisíacos, sem que nada ou ninguém o impeça.
Hoje, o céu da ilha este coberto por uma fina nuvem de fumo acastanhado, embrulhado em invulgares 30ºC e que lembram a substância uma sinistra frase que li, com perplexidade há alguns tempos...
"Toda esta destruição paulatina do Planeta e das suas estruturas mais perenes, tem como propósito construir a ideia de que, em breve, o grau de destruição fará com que não tenhamos pena do colapso global, levando até a que o desejemos!"...

VERÃO .X (6)

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 29.8.10

Verão .11 - Regresso da Bola

A bola “a doer” regressou com um Benfica-Porto. No registo do costume.
Já coloquei a paciência em banho-maria que pelo arranque do “comboio” a coisa promete.
A nação vermelha, ainda aturdida  pelo foguetório da vitória no último campeonato, lá teve que caír na habitual realidade secundária.
Secundária porque são os tripeiros que vão na frente.
Habituem-se!


Comboio Regional Souselas-Aveiro – 11.08.2010
 

Verão .12 - Porto com sentido

Gosto de vir ao Porto.
Cada vez que cá venho mais aprecio esta cidade que, sem desprimor para outras, é a mais europeia das urbes nacionais.
O cinzento do seu casario e as suas neblinas são absolutamente inigualáveis e é isso que torna a cidade no que ela é e tem de bom.
Estranhamente, o dia hoje trocou as voltas e apresenta um calor invulgar, 34ºC e um vento seco que varreu a neblina para o mar
À cidade em si, noto-a mais limpa, mais ordenada, mais tratada. E a mistura entre o novo e o velho assenta-lhe bem.
O seu edil, Rui Rio, adore-se ou deteste-se a figura e o seu estilo, transformou a cidade. Não precisou de andar a lamber as botas aos poderes paralelos - leia-se ao sr. Pinto da Costa, nem andaram por aí a transformá-lo no "super-autarca" como fizeram com Fernando Gomes, com os  resultados que anos depois se viram...
Em suma, o Porto sobrevive intacto e com garbo, fazendo-nos ter orgulho numa das mais belas cidades do país, mesmo não sendo de cá.


Porto - 12.08.2010

VERÃO . X (5)

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 27.8.10


Verão . 9 – Um regresso a Caldas da Rainha/Oeste
Regressar ao Oeste e a Caldas da Rainha dá uma confortável garantia. De que tudo permanece numa segura ordem de monges.
Até o vento, a nebulosidade matinal e de final de tarde, sempre em desacerto com o compasso estival que faz bufar de calor o resto da nação, permanecem certos numa relojoaria precisa.
Há aqui, sempre, a garantia da necessidade de um casaco e da pele de galinha que o requisita.
De resto, a cidade permanece no seu “progresso político”, entre as iniciativas da cultura – museus, artes várias, termas, cerâmica – e a cavalgada das urbanizações, o chamado “progresso das betoneiras”.
Esta normalidade conforta e, na falta de um casaco, aquece a alma ao regressado.
Caldas da Rainha, 17.08.2010

Verão . 10 – Figueira da Foz
A cidade permanece com o mesmo traço de sempre.
Estar nela no Verão e depois no Inverno é uma sensação estranha.
É o "problema" das cidades que vivem da sazonalidade.
No Verão, é invadida por gente, muita dela de Coimbra, criando-se, por isso uma certo ar de nem é uma nem é outra. Tem o mar é a Figueira da Foz, tem os "coimbrinhas", mas sem a "Cabra" a mandar no casario, mas não é Coimbra.
Estar aqui, hoje, é, de certa forma e por isso, como estar em meia Coimbra (sem a Universidade...) e em toda a Figueira no que tem de melhor.
Sol, vento (hoje pouco) e mar.
Chega para se gostar!
 Figueira da Foz, 18.08.2010

VERÃO . X (4)

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 26.8.10

Verão . 7 – Silly Cellular Stuff
Algumas operadoras de telemóvel apregoam, entre músicas de Estio preenchidas com invariável gente bonita e saudável, que – tratando-as por tu: “fala à vontade e à borla, durante um mês, para números da mesma rede!”
Esquecem-se de dizer – porque só escrevem em letra menor – custo de adesão: 15 ou 20 euros!
De facto, à borla!
Comboio Regional Souselas-Aveiro, 11.08.2010

Verão . 8 – A volta ao Norte do Tejo
 A Volta a Portugal, sempre interessante como um molho de urtigas, auto-denomina-se desta forma mesmo que, anti-salomónica, não se digne descer abaixo do rio Tejo.
Gosto deste rigor geográfico.
Vejamos. Quando se diz que a sul do Mondego já é Marrocos, já poderá afirmar-se que se trata de uma volta multi-nacional. Ou então, há novas conquistas de portugalidade a sul daquele rio, sendo que continua, com olímpico desprezo, a ignorar-se o além-Tejo.
Seja como for, uma tripla de procedimentos se torna urgente:
1º Mudar os manuais escolares;
2º Explicar isto, com desenhos, aos senhores que organizam a corrida.
3º Esperar que eles percebam...
Figueira da Foz, 18.08.2010

VERÃO .X (3)

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 25.8.10

Verão . 5 – Barriga (Auto-Retrato - quase dramático - aos 41 anos)

Olhando-a e esquecendo a incapacidade masculina para a gravidez, a coisa vai nuns módicos 4  meses...

Evito, pois, desde já, as ecografias... Não pretendo saber o que vai lá por dentro.

Maceda, 07.08.10


Verão . 6 – A lenta agonia comunista

A morte de Dias Lourenço, um comunista firme e pouco mais que “irrelevante "nas apreciações exteriores,  um "funcionário" competente e zeloso do partido, abre-me de novo o imaginário – respeitável – roçando a “graça”, ao termo “morte de um histórico comunista”.

As frases dos camaradas, ouvidas na torrente mediática, são as mesmas de sempre. Parece – são – aprendidas nos manuais da ideologia e terminologia comunista, onde “alguém” determinava tudo, pensando ao milímetro gestos, posturas, palavras e frases.

Por cada velho comunista que morre, permanecem sempre os “encantos” de uma ideologia que remete para uma espécie de Biblia, sem Deus, mas com as mesmas fortes crenças.

Comboio Regional Aveiro-Coimbra, 10.08.10

VERÃO . X (2)

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 24.8.10

Verão .3 – Galinhas aquecidas
No parque de estacionamento de um grande centro comercial de Gaia, duas mulheres insultam-se e esbofeteiam-se por via de um cruzamento quase mal calculado, em que as suas viaturas ficaram a um palmo de se tocarem.
Imagino que se tivessem tocado, a coisa resvalasse para o sangue.
Os 30 e tal graus que se faziam sentir, aqueceram, certamente, o sangue das “madames”.
Pouco depois, na pressa das câmaras de vigilância, surge um segurança acorrendo ao evento.
Pensei então que, caso fosse necessário e para arrefecer os ânimos das senhoras, estava já ali à disposição, o segurança e a sua “mangueira”.
GaiaShopping – 04.08.10


Verão .4 – Riscos
Sardinhas. Vinho. Saladas. Pecados.
Comer o que cinco pessoas normais comeriam. Pesa a digestão. Pesa a consciência, pesam todos os factores que levam a um certo risco.
Mas a vida faz-se de pecados. Sem cálculo. Ao risco. 
Ao prazer.
Maceda - 05.08.10

REGRESSO - VERÃO .X

Publicado por António Luís | Marcas , | Publicado em 23.8.10


Para assinalar o regresso do Latitude 40, vou publicar nos próximos dias uma dúzia de textos que manuscrevi durante as férias.
O "ramadão" informático a que me auto-submeti durante praticamente um mês permitiu-me, entre outras coisas, regressar ao prazer da escrita em papel (ver foto), da escolha da caneta, do engano sem corrector e a toda uma certa ideia de "museologia da escrita".
São textos curtos, gizados ao sabor da actualidade e das geografias que entretanto ia abraçando, sendo que, por isso, poderão padecer de alguma falta de actualidade, sobretudo depois de caírem de chofre neste espaço, dias e/ou semanas depois de terem sido escritos.
Contudo, ciente do "risco", publicá-los-ei e,  já agora, acrescentando que, volvido este tempo, continuo a  concordar com eles...

VERÃO  .1 – O que não muda
Em Agosto, as praias portuguesas continuam, como há anos, o seu desígnio multi-lingue, com destaque para o “françugês”, uma língua que os tempos modernos não conseguiram despachar ainda para a bruma do esquecimento, mesmo tendo em conta actual a fúria niveladora, que tudo cataloga segundo padrões estabelecidos.
Há, pois, algo de reconfortante nesta constatação .
03.08.10 – Praia de Cortegaça (Ovar)
 VERÃO .2 – Síndrome Luís F. Veríssimo
Um tipo está sossegado, sentado a ler – cousa ousada de fazer numa praia – e leva com os avantajados  seios de uma jovem moça.
Nunca gostei que me interrompessem a leitura, por isso protestei em silêncio.
Nenhum par de seios, por mais "oxigenados" que sejam os ditos, tem o direito de atropelar a minha concentração.
03.08.10 – Praia de Cortegaça (Ovar)