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VERÃO . X (13) - COIMBRA

Publicado por António Luís | Marcas , , | Publicado em 7.9.10

O série de textos Verão .X, sem que o controlasse, colocou Coimbra no nº13. E último.
Só quem nasceu e viveu em Coimbra pode escrever sobre ela, do modo com que o irei fazer. É uma espécie de "autoridade" que assenta numa máxima pessoal tremenda: "ama-se coimbra com a mesma intensidade com que por vezes se detesta!"
Coimbra permanece como já aqui referi.
Fiz, em Agosto, uma viagem de Comboio, entre Espinho e Coimbra.
Quando se passa em Aveiro, a começar pela estação - esquecendo o frequente mau cheiro da fábrica em Cacia ou da maré baixa da ria - a cidade assenta numa plataforma moderna e aberta.
Basta ver os edifícios modernos, de arquitectura arrojada que por lá surgem, formando um skyline muito interessante no que tem de moderno.
Quando o Comboio se aproxima de Coimbra, a alguns quilómetros, tudo muda. A começar pela própria linha, abandonada, que faz abrandar a composição abanando-a. A avisar para o que aí vem...
Antes de se entrar na estação, que é a mesma de há meio século, talvez, percebe-se a dimensão decadente da cidade.
Ruínas de fábricas, ruínas e de novo ruínas... Sente-se - ouve-se - o seu silêncio que grita ausências, morte e abandono de ratos, de silvas, de vidros e cacos. Está ali esconjurada muita da história recente da cidade. Percebe-se ali o que que nos espera quando nela entramos.
A estação deveria fazer corar de vergonha uma cidade que recebe pelo comboio muitos de milhares de pessoas todos os dias, seja em turismo, seja em trabalho.
De resto, a malha urbana da cidade, ainda que se vá alargando, mantém um traço desgarrado, com intervenções pontuais, sem arrojo, com pouca ou nenhuma modernidade, como que tolhida pela presença de uma atmosfera castrante cuja explicação ninguém ou todos encontram de há décadas para cá, sem que nada de fundamental e até "salvífico" mude ou faça mudar.
Contudo, tanta ironia depois, este ar decadente acrescenta-lhe algo de atraente, cuja explicação eu não encontro. Apenas torna substantiva a opinião de que Coimbra se ama e detesta com a mesma força, no mesmo dia, na mesma hora, no mesmo minuto.
Só isso a torna única!
 A "velha " Cabra, cuja sombra nem sempre conforta...

O casario a subir as encostas, o Elevador do Mercado e o arvoredo duma das mais belas avenidas da cidade, a de Sá da Bandeira.

Em primeiro plano, um dos últimos edifícios a aparecer na cidade. o Hotel Vila Galé, em plena baixa da cidade, numa zona sem definição urbanística enunciável com rigor, como tanta coisa nesta urbe...

A ponte Rainha Santa Isabel, que para muitos habitantes de Coimbra - eu incluído - será sempre a "Ponte Europa", uma das últimas construções em grande escala na cidade... há quase 7 anos...

Comentários (2)

  1. Bem, é assim tipo o Porto, uma mescla que se adora e se detesta ao mesmo tempo e que, ao mesmo tempo, só quem tem a cidade no sangue, se pode dar ao direito, ou ao arrojo, de o fazer.
    O resto, como se diz na Moralândia, é paisagem.
    Só que , eu prefiro fazer parte da paisagem, muito mais do que da Capital do Império ... onde a coisa que mais gosto, há que confessá-lo com frontalidade, é mesmo a Avenida Cidade do Porto ... é aquela que segue para Norte, e por onde gosto de sair da cidade ... eh eh eh

    5513

  2. Concordo aqui com o amigo "Anónimo". Este fim-de-semana estarei em Coimbra, de visita, espero gostar do que vou ver. De resto pelo que conheço, das muitas vezes que já lá fui é uma cidade interessante, meia cinzenta, como o meu Porto. Mas deve ser aí que reside o encanto.

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